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"Somente ao anoitecer os nossos andarilhos voltam para a aldeia. As crianças abrigam-se para o pernoite num alpendre abandonado, onde antes se armazenava o trigo comunal, enquanto Terênti, despendido-se delas, dirige-se para o botequim. Apertadas uma contra a outra, as crianças cochilam sobre a palha.
O menino não dorme. Ele fita a escuridão e parece-lhe enxergar tudo que ele viu durante o dia: as nuvens, o sol brilhante, os pássaros, os peixinhos, o esgalgado Terênti. A abundância de impressões, a fadiga e a fome reclamam o seu. Ele arde como numa fogueira e rola de um lado para o outro. Tem vontade de expressar para alguém tudo aquilo que agora lhe aparece no escuro e lhe perturba a alma, mas não tem com quem falar. Fiokla ainda é pequena e não entenderá.
"Vou contar amanhã para o Terênti"..., pensa o menino.
As crianças adormecem, pensando no desabrigado sapateiro. E no meio da noite, Terênti vem ter com eles, faz sobre eles o sinal da cruz e ajeita a palha debaixo de suas cabeças. “”””E esse amor, não o vê ninguém”””. A não ser talvez tão somente a lua, que flutua pelo céu e espia carinhosamente, através das frestas do telhado esburacado, para dentro do alpendre abandonado".
Tchekhov (1860-1904), in, um dia no campo- ceninha.